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id da página: 8269 Frithjof Schuon O ESOTERISMO COMO PRINCÍPIO E COMO VIA Frithjof Schuon

Schuon Homem

O homem, sendo livre, está condenado à liberdade; não foram as verdades e os métodos libertadores que "faliram", foram os homens que se tornaram "adultos", por assim dizer.
O homem que perdeu a graça divina, portanto o homem comum, é como que envenenado pelo elemento passional de maneira rude ou sutil; daí resultando uma obscuração do Intelecto e a necessidade de uma Revelação oriunda do exterior. Retirem o elemento passional da alma e da inteligência — retirem "a ferrugem do espelho" ou do "coração" — e o Intelecto ficará liberto; ele revelará, do interior, o que a religião revela do exterior. Mas isto é importante: para poder fazer-se entender por almas impregnadas de paixão, a própria religião deve adotar uma linguagem, por assim dizer, passional, donde o pragmatismo que exclui e o moralismo que esquematiza. Se o homem comum ou o homem coletivo não fosse passional, a Revelação usaria a linguagem do Intelecto e não haveria mais nenhum exoterismo, aliás nem esoterismo como complemento oculto.
Quem diz "homem" diz bhakta e quem diz "espírito" diz jnani. A natureza humana é, por assim dizer, composta por essas duas dimensões semelhantes, mas incomensuráveis. Por certo, há uma bhakti sem jnana, mas não existe jnana sem bhakti.
Quem diz homem diz forma; o homem é a ponte entre a forma e a essência, ou entre a "carne" e o "espírito".
A Personalidade divina, já o dissemos, é antropomórfica; além do que, na realidade, é o homem que se assemelha a Deus e não o contrário; Deus faz-se necessariamente homem nos seus contatos com a natureza humana.
O ego como tal não pode em boa lógica reivindicar a experiência do que está além do egotismo; o homem é o homem, e o Si-mesmo é o Si-mesmo.